
Para o brasileiro entender sobre a escassez não é fácil, desde os primeiros anos de escola são ensinados de que o país detém uma das maiores reservas mundial de água doce, ou seja, 15% do total. Mas a distribuição dessa abundância é desigual. Cerca de 70% da água disponível está na Bacia Amazônica, onde se concentram apenas 7% da população, enquanto no sudeste vivem 43% das pessoas, com apenas 6% de água disponível.
Com cerca de 60%, o setor agrário é hoje o que mais consome água no país. Aproximadamente 480 milhões de pessoas são alimentadas com grãos produzidos com extração excessiva dos aqüíferos, segundo dados da ONG Projeto de Políticas Globais para Água. Com isso, cuidar e administrar os recursos hídricos são essenciais para garantir os recursos necessários ao crescimento econômico. Ao analisar a experiência da China, o país resgatou milhares de pessoas da miséria nos últimos anos, usa água de maneira insustentável, atualmente enfrenta a escassez de seus recursos hídricos e paga alto pela irresponsabilidade. Os lençóis subterrâneos da capital, Pequim, diminuem 2 metros por ano. Um terço dos poços da região metropolitana já secou. Outro ponto que afligem os chineses está na poluição de seus recursos hídricos. Estima-se que 70% dos rios locais estejam poluídos. Hoje, 320 milhões de chineses bebem água com detritos animais e altas doses de arsênio – causador de problemas na pele, cânceres e doenças circulatórias –, de acordo com a organização não-governamental Amigos da Natureza,
O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último com 19% do consumo. Nestes o desperdício é o grande problema no Brasil. Cada pessoa necessita de 40 litros de água por dia, mas a média brasileira é de 200 litros, assim, nosso estilo de vida atual pode, em algumas décadas, afetar nosso nível de consumo. No Brasil 40% da água tratada fornecida aos usuários é desperdiçada
O mundo debate atualmente a melhor forma de gerenciar a água e vê como tendência mundial às iniciativas privadas. Em 1980, o mundo tinha 12 milhões de domicílios atendidos por concessionárias privadas. Hoje, são 600 milhões. A Inglaterra, a França e o Chile foram pioneiros. Quase todo o negócio mundial de gestão de água está nas mãos de duas empresas francesas. A maior delas, a Veolia, faturou US$ 13 bilhões no ano passado. A segunda, a Suez, ganhou US$ 7,5 bilhões em negócios com água.
A situação do Brasil está longe da escassez da China. Mas o país não está em situação confortável. O estudo da ONU revela que já existem conflitos e disputas pelo uso da água dos rios Paraíba do Sul, Piracicaba e Capivara – na Região Sudeste. De acordo com o relatório no Sul, as áreas de conflito mais visíveis resultam da demanda para irrigação de campos de arroz e da degradação da qualidade da água, especialmente nas áreas de criação intensiva de gado.
Como reverter o processo?
Simples atos e maneiras de agir têm grande poder para reduzir o desperdício de água no país. Na Europa já se usam instalações diferenciadas na válvula de descarga. Com dois botões de ações diferentes, elimina com um dos comandos de dejetos líquidos metade da água do reservatório, enquanto o outro botão, para sólidos, despeja a carga total. No Brasil o dispositivo custa 30% a mais que o convencional, mas o retorno do investimento vem a partir da primeira conta d’água.
Outro método de ação e talvez o mais complicado seja a mudança de hábito dos brasileiros. Medidas já são incentivadas em campanhas publicitárias para o racionamento na hora do banho, na lavagem da roupa e na escovação dos dentes com a torneira fechada. Porém a prática pouco é usada.
Uma estratégia obvia, que evitaria a escassez de água no Brasil seria parar de matar as nascentes. O desmatamento e a pavimentação do solo, para construir casas e estradas, estão secando os mananciais de água pura que alimentam rios e lagos. Em conseqüência, 45% da população não tem acesso aos serviços de água tratada e 96 milhões de pessoas vivem sem esgoto sanitário.
Água de Muriaé com certificação da Copasa.
Em Muriaé, no bairro Augusto de Abreu, na propriedade de Joel Abreu existe uma fonte de água natural que há 53 anos recebe os cuidados de sua família. A transparente e límpida água da mina deságua no rio Muriaé, mas segundo seu proprietário cerca de 40 pessoas buscam água em suas terras todos os dias. “A água é de todos e para todos”, diz Abreu.
Para comprovar a procedência do produto, há dez anos a água que nasce nas terras de Abreu recebem análises de profissionais da Copasa, que certificam a qualidade existente na água. A fonte é também um socorro para a população muriaeense quando há falta d’água na cidade. “a mina passa a ser um refúgio para situações de risco como as que acontecem vez ou outra na cidade”.
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